Dia de Doar: solidariedade em tempos de crise

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O brasileiro, sabemos bem, é historicamente solidário. São mais que comuns os exemplos de pessoas e famílias que ajudam outras em situação de necessidade, assim como as milhões de toneladas de alimentos e roupas doadas em momentos de emergências, como nas recentes enchentes pelo país.

Quando falamos em doação de dinheiro, são pelo menos 33 milhões que doam para organizações da sociedade civil pelo menos uma vez por ano, segundo oWorld Giving Index – WGI (Índice Mundial da Solidariedade).

Estudo realizado desde 2007 pela Charities Aid Foundation (CAF), fundação do Reino Unido com escritórios em todos os continentes, e representada no Brasil pelo IDIS – Instituto para o Desenvolvimento Social, o World Giving Indexpesquisa 135 países e estabelece um ranking com base nas perguntas: “doou dinheiro para alguma organização da sociedade civil (ONG)?”, “foi voluntário em alguma organização?” e “ajudou desconhecidos necessitados no último ano?”.

Os resultados são interessantes. No ranking geral da última edição, publicada no final do ano passado, os Estados Unidos e a pequena Birmânia (ou Myanmar) lideram como as nações mais generosas do planeta. No top 5 de países no qual a população mais doa dinheiro (em relação ao total) estão a Birmânia, Malta, Tailândia, Irlanda e Reino Unido. De ajuda a desconhecidos, os EUA, o Iraque, Trinidad e Tobago, Jamaica e Liberia. E no de voluntariado, Turcomenistão, Birmânia, Sri Lanka, Ubezquistão, com Canadá, Nova Zelândia, EUA e Tajiquistão dividindo o quinto lugar neste índice.

Já o Brasil ocupa a 90ª colocação no ranking mundial de solidariedade, e está entre os dez maiores do mundo quando se consideram apenas os números absolutos da população que é solidária.

Esse resultado, aliás, contrasta com aquele que citamos mais acima, do brasileiro como povo receptivo e solícito, e acabou reforçado na pesquisa Retrato da Doação no Brasil, de fevereiro de 2014, promovida pelo próprio IDIS em parceria com a Ipsos Public Affairs.

A análise da pesquisa demonstrou que o hábito de doar não faz parte da cultura do país. De cada 100 brasileiros, 30 doam para pedintes de rua, o mesmo número que disse que doa para igrejas (não é possível saber, pela pesquisa, se são os mesmos ou outros, por isso os números não podem ser somados). Da mesma forma, de cada 100, apenas 14 doa para ONGs.

Os números nos levam a concluir que o brasileiro, ainda que bastante solidário, não age de forma estratégica, não doa como parte de um hábito cultural, e sim em razão de pedidos mais pontuais e imediatos.

E em um momento de crise econômica, como o nosso, os estímulos para a doação imediata voltam a se repetir: maior desemprego e inflação; redução geral da renda e aumento da pobreza. O resultado é mais pessoas precisando receber doação, e uma propensão maior do indivíduo para doar ao pedido de última hora.

Como doação, entendemos a transferência para alguém de um dom, uma dádiva, um bem, sem esperar nada em troca a não ser o benefício para a sociedade.

Há diversos estudos que comprovam que doar faz bem não somente para quem recebe, mas também para quem dá. Ajudar o outro estimula o brain reward system, um sistema de recompensas que é ativado no cérebro em situações de prazer como comer chocolate, e em situações de conforto emocional como o apego social em vínculos de longo prazo.

Doar diminui o estresse, melhora o funcionamento do sistema nervoso e do coração e aumenta a expectativa de vida. O altruísmo traz realização e satisfação de algo feito por prazer e não por obrigação. Em tempos de crise, pode ser inclusive um bom instrumento para conforto mental.

É para redirecionar essa solidariedade do brasileiro de pontual para estratégica (ou seja, feita de forma recorrente, habitual) que foi criado o Dia de Doar, uma campanha que promove a cultura de doação e que será celebrada dia 01 de dezembro este ano.

O Dia de Doar surgiu em 2012, nos Estados Unidos, e teve sua primeira edição no Brasil em 2013, sendo atualmente organizada pelo Movimento por uma Cultura de Doação, uma coalização de organizações e indivíduos que promovem ações de incentivo à filantropia.

No primeiro ano da realização do Dia de Doar no Brasil, pouquíssima mobilização ocorreu. Em 2014, já às vésperas da crise econômica, a campanha deu um salto, e 400 parceiros em todo o país se juntaram a ela, dentre indivíduos, empresas e organizações da sociedade civil (ONGs), alcançando quase 20 milhões de pessoas no país.

Este ano, com país vivendo sua pior situação econômica em desde 2002, um desemprego recorde e inflação com risco de voltar aos dois dígitos, o Dia de Doar caminha para ser ainda mair, mais que dobrando de tamanho. E olha que ainda faltam 50 dias ainda pela frente!

Organizações, pequenas e grandes empresas, indivíduos e até órgãos públicos já aderiram ao Dia de Doar, que estimula que cada um faça seu ato de doação no dia 01 de dezembro, e promova-o usando a hashtag #diadedoar. Para mais informações, e aderir à campanha formalmente, é só acessar a página www.diadedoar.org.br

Doar é um “negócio e tanto”, que pode colocar o Brasil em um ranking admirável de conduta ética, sem contar o bem que pode fazer para quem precisa. E para você também.

 

 

João Paulo Vergueiro
João Paulo Vergueiro
João Paulo Vergueiro é Diretor Executivo da ABCR – Associação Brasileira de Captadores de Recursos e professor de Responsabilidade Social Corporativa na FECAP. Administrador e mestre em pela Fundação Getúlio Vargas, em SP. abcr@captacao.org

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Marina Pechlivanis
Marina Pechlivanis
Marina Pechlivanis é sócia fundadora da Umbigo do Mundo, Mestre em Comunicação e Consumo pela ESPM, consultora em Gifting® e em Dádivas de Marca@, palestrante, professora e autora, lançou o livro GIFTING (Ed. Campus Elsevier, 2009) e ECONOMIA DAS DÁDIVAS, O NOVO MILAGRE ECONÔMICO (Ed. AltaBooks, 2016), entre outros 15 títulos com foco em motivação e negócios. marina@umbigodomundo.com.br

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